Uma coisa que eu desprezo, é ser tirada de maluca. Fico com raiva, porque em geral eu sou muito sóbria sobre as coisas que acredito e defendo, sobre os meus anseios, sobre as batalhas que travo sem terror nenhum. Se for preciso, eu caminho sob as águas e a gente disputa em mar aberto, pode até trazer seu jesus junto pra te ajudar. Foda-se. Fato é que me acontece muito de ser constantemente colocada em determinadas jaulas, porque quando não maluca, então reativa, grosseira, treteira, mandona, difícil de lidar, radical, militante, combativa, feminista, desbocada, agressiva, doida, inacessível, subversiva, ousada, esquisita. Poderia ficar aqui por horas. Fico presa no meio entre ser mulher e ser anti mulher. Por um lado, performo algum tipo de feminilidade: raspo o sovaco, pinto o cabelo, uso maquiagem, sou doente com a magreza, pinto as unhas, sou mãe, pratico o cuidado e exerço o trabalho invisível e não remunerado destinado às mulheres. Por outro, sou totalmente anti mulher:...
Papo de um cigarro ou dois
O mau do urubu é pensar que o boi tá morto