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Cavar pra cima

Ficou a ressaca dos tempos de guerra. O fim dos ciclos é sempre um fim dos tempos. Na minha trilha sonora do Apocalipse, saxofones sopram (não tão) gentilmente ao fundo.

Das minhas múltiplas formas de tentar ser pessoa, queria dizer que me orgulho muito de ser uma mulher combativa, um divisor de águas. Ao mesmo tempo, minha filha me diz que eventualmente eu tenho esse "olhar perfurador de almas" — que, em sua maioria, é minha cara de paisagem. Me chama a atenção, porque me diz que a minha feição está endurecida.

Desaguei demais. Meu grande desejo da vez é desanuviar. Jogar pro universo, desapegar do ressentimento, cavar pra cima. Sobreviver ao choque e construir vida depois. E eu sou mulher de segurar a rédea da própria vida nas mãos, rente ao peito, como quem diz que eu posso até estar cansada do combate, mas que "quem tá morta é a Hebe".

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