Amanhecem os dias, o trabalho permanece, a rotina demanda, o coração bate, ainda estou aqui. Parte de mim não levanta da cama e nem sabe o que fazer, uma estafa avassaladora me acerta, depois um estalo de que se 'tem que fazer, tem que fazer'.
O encontro com a morte é, definitivamente, um desses momentos que mudam a química do nosso cérebro. Nunca mais vou esquecer do presságio e depois da chegada e, principalmente, da partida. Tolo é quem acha que se encontra com a morte quando é a sua vez, porque nessa hora, não se pressupõe interação e troca — que é do que se fundamenta um encontro; na sua vez, é uma passagem.
Na confluência com a morte, chorei incessantemente, de peito aberto, totalmente vulnerável. Essa minha mais nova conhecida foi gentil comigo, apesar dos meus prantos e dos soluços e da tristeza imensa. Não foi tão rápida que eu não pudesse assimilar, nem se arrastou a ponto de o sofrimento se entranhar. Preparou o meu coração com cautela e fez o que tinha que ser feito.
A vida nunca mais será a mesma. A saudade se manifesta nas frestas do cotidiano e te pega, ligeira. Antes que você perceba, já veio um cheiro, um som, um vento, um transeunte, uma conversa fiada, absolutamente qualquer coisa, e você já se teletransportou para uma outra existência. Esse mundo desaparece e dá lugar a uma coisa que sempre será enquanto nunca mais é.
Espero com a força do pensamento recriar a luz que me trará você.
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