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Papel celofane

 A minha crise mais atual é a da controvérsia humana; sei que somos 'sim e não', 'isso e aquilo', 'faço ou não faço' ao mesmo tempo, mas esse niilismo me deixa engasgada, como se o sentido não existisse também dentro de sua ausência. 

Esse ano faço trinta e sinto que o mundo tem tentado me vencer pelo cansaço e, ah, quando cê fica cansado o pensamento crítico se assenta, o desejo pela transformação se acomoda, como se os sistemas dominantes fossem axiomas. 'Se for pra nós viver por isso, eu prefiro morrer pelo que eu acredito'. 

Tenho sonhado pra cachorro, sobre o meu lindo mundo da imaginação, como se fosse preciso só um estalo para que pudéssemos enojar aquilo que fede e anda ao nosso redor, para que considerássemos cenas cotidianas de um horror mais terrível que invocações do mal. 

O que não faz sentido pra mim é não bancar quem se é, sabe? Como se só porque o arquétipo reluz igual ouro, fosse ouro e não lixo em papel celofane. 

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