Fazia tempo que eu não morria por dentro, porque fui remendando minuciosamente o exoesqueleto e sumindo no precipício que é ser funda para dentro . Capturar a mudança inevitável da existência é brutal, já não sou mais a mesma, mas às vezes sinto falta do que habita o nunca mais — de quem me despedi e das várias de mim que foram estraçalhadas pelas fissuras no córtex pré-frontal. É preciso falar muito alto de dentro para fora, de forma que a minha voz consiga sair pela boca. No mais, eu sou uma mulher silenciosa, porque é verdade e, também, porque fui me recolhendo ao longo dos anos. É muito difícil ter um coração gigante e amar sendo uma mulher endurecida pela vida; gato escaldado tem medo de água fria. Fico um pouco chateada — porque é muito solitário ser quem a gente é pela nossa própria perspectiva — mas reservei tempo indeterminado para me sentir da forma que for, mesmo que venham ondas de tristeza avassaladoras e eu demore a encontrar as correntes de retorno. Sammytime Sadness, ...
O mau do urubu é pensar que o boi tá morto