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Eu odeio gente chique

Me encontro nesse momento com o coração partido. de luto, ferida por essa vida de mula, chateada demais com a burguesia safada. Depois que você começa a ler o mundo o oculto para de existir, determinadas nuances se escancaram e ninguém quer romper com os próprios privilégios - herdados de uma exploração multifacetada. Honestamente, que tristeza. 

Nos últimos dois meses a vida me mastigou e me cuspiu de volta. Complicado ser uma mulher ousada no meio de porcos capitalistas, mas que se foda. Invisto toda a energia possível em não ser um saco de lixo, a despeito dos meus privilégios de pessoa branca com acesso a direitos básicos como a educação superior ou algum lazer. O que me atravessa o peito é ver essa gente espiando culpa burguesa através de qualquer face da exploração e se ofendendo quando alguém aponta e diz que é o que é. 

Eu escrevo as minhas linhas - tortas ou não, certo ou errado -, e determinadas histórias eu tenho me decidido a parar de contar. É o fim de uma era, eu diria. Algumas narrativas precisam ser abandonadas e mexe comigo porque meu coração é enorme, mas eu odeio gente chique, eu não uso sapato.

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